Dedicatórias óbvias

 

 

Queria chegar assim aos meus 80 anos. Não quero o Prêmio Nobel, nem a fortuna que García Márquez fez com a venda de seus livros. Quero chegar aos 80 anos me sentindo jovem e viva o suficiente para mostrar a língua para estranhos na rua.

Quero a coleção de amigos incríveis de quem Gabo sempre fala em suas entrevistas, e para quem ele faz chamadas internacionais intermináveis.

Quero alguém com o olhar sereno de Mercedes, no vagão do trem, ao meu lado. Uma pessoa que me entenda, se um dia eu chorar a morte de um coronel inventado, como se alguém da família tivesse morrido, como García Máquez um dia fez com o Coronel Aureliano Buendía, personagem de “Cem anos de solidão”.

Quero que minha vida tenha dedicatórias óbvias. Afinal o que poderia ser mais lógico do que dedicar um livro sobre o amor, para um grande amor? Que dirá então um livro capaz de arrancar lágrimas e suspiros, como “O amor nos tempos do cólera”, apaixonado desde antes do título, quando se lê as palavras de García Máquez: “Para Mercedes, é claro”. Coisa mais maravilhosa que o amor seja óbvio na vida de alguém.

 

 

Quero as rugas de felicidade. Todas elas. Por todos os lados. Não tem nada mais lindo do que velhinhos enrugadinhos de tanto rir na vida.  

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