JC Investigações

 

Edifício Pórtico, rua Felipe Schmidt, centro de Florianópolis. No nono andar, uma das salas deste edifício comercial destoa das demais. Todas as portas têm placas de identificação de psicólogos, dentistas e outros profissionais, exceto a porta da sala 907, toda branca, sem campainha, aparentemente desocupada. Uma pessoa se aproxima, bate na porta e entra na sala, apreensiva, sentindo a respiração ofegante. Aqui, nesta sala de seis metros quadrados, mal iluminada e quase sem mobília, funciona a JC Investigações, empresa de detetives particulares.

Lá dentro um dos detetives particulares da equipe, motoqueiro, com um casaco de couro preto, um capacete numa mão e uma câmera de longo alcance na outra, mostra para JC, um dos donos da empresa, a filmagem que acaba de fazer: uma mulher loira sai de seu carro e entra num prédio residencial. “Ela não está com roupa de ginástica” comenta o detetive. Sem saber que é observada, a loira entra no prédio, vai para um apartamento do terceiro andar, circula pela casa falando ao telefone.

Esta mulher que aparece na filmagem está sendo vigiada a pedido de seu amante, que mora em outro estado. Ele é casado, e para evitar problemas, paga todas as despesas de sua amante para que ela more aqui em Florianópolis. De tempos em tempos ele contrata os serviços de JC para saber o que a amante faz quando ele não está por perto.

Esse é um caso comum para JC, detetive particular há quinze anos. Em sua empresa ele oferece serviços de investigações criminais, políticas, empresariais, infidelidade conjugal, varredura telefônica (grampo), levantamento de informações sobre o passado de uma pessoa e para pais que querem descobrir se os filhos estão usando drogas. Para isso, conta com uma equipe de três casais de detetives, todos credenciados na Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, que usam escutas telefônicas, grampos, filmadoras de longa distância, micro-câmeras e o que mais for necessário para descobrir o que seus clientes querem saber.

 

Sorria, você está sendo filmado

Quem são as pessoas que contratam os serviços de JC? “Gente de todo tipo, desde médico, empresário, até balconista”. Os serviços só não atraem mais clientes porque os preços são salgados: uma investigação curta leva de 3 a 10 dias para ser completada, e a diária dos serviços fica entre 350 e 400 reais. “Mas depende do serviço. Tem serviço que leva mais tempo, pra colocar alguém dentro de uma empresa, por exemplo, daí é mais caro”. Um dos trabalhos recentes de JC foi investigar os funcionários de um ferro-velho, porque o dono do lugar queria saber se os seus empregados estavam cumprindo seus horários e se estavam desviando material (sim, eles estavam).

Os casos de infidelidade conjugal também são muitos. “O problema é quando o cara acha que a mulher tá saindo com outro cara e a gente pega ela saindo do motel com outra mulher, ou vice-versa, daí a gente tem que preparar bem o sujeito, porque é um choque”, diz JC. Por isso o detetive particular também tem um pouco de psicólogo. Nem sempre as pessoas estão preparadas para ver e ouvir tudo que as câmeras com dispositivo infra-vermelho e as escutas captam. “Tem gente que começa a chorar, grita, eu sempre pergunto se as pessoas têm problema no coração, porque vai que o cara tem um troço e morre, eu preciso que o cliente sobreviva para me pagar” diz o detetive sorrindo.

 

Espionagem Tecnológica

Toda vez que uma emissora de televisão ou uma grande revista faz uma matéria sobre os equipamentos que os detetives utilizam e sobre as técnicas de investigação isso tem duas implicações para os detetives particulares: a procura pelos seus serviços aumenta com a divulgação, mas as pessoas ficam mais precavidas quanto aos métodos de investigação. Isso dificulta o trabalho de JC, que precisa estar sempre em busca novas formas de realizar o seu trabalho.

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