Charme Chulo: os opostos se atraem

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O Brasil é conhecido mundialmente pela desigualdade e os contrastes sociais, principalmente nas maiores cidades do país. Prédios imponentes e pessoas dormindo no chão, executivos engravatados e mendigos com frio, restaurantes caros e pessoas catando o que comer de seus lixos. De um lado o Charme, do outro o Chulo.

Tentando fazer esses dois mundos dialogarem, os primos Igor Filus (voz) e Leandro Delmonico (guitarra e viola) criaram o Charme Chulo em 2003, que surgiu para unir o rock inglês e os anos 80 (tão em moda nos últimos tempos) com a moda de viola dos cantadores das ruas, o brega e a canção de amor. Culpa do tempo que os primos viveram em Maringá, no norte do Paraná, incoporando a programação das AMs interioranas em sua formação. Um casamento inusitado à primeira vista bizarro, a mistura agrada na primeira audição do disco epônimo lançado pelo quarteto em abril deste ano.

Produzido por Eduardo “Xuxu”, vocalista e guitarrista da Pipodélica, o disco mostra uma banda em clara evolução em relação ao EP Você Sabe Muito Bem Onde Estou, de 2004. A primeira grande diferença é a voz de Igor, mais redonda e que não incomoda mais nos agudos. Leandro domina cada vez mais a viola, incorporando um Johnny Marr da roça. O uso de vozes de apoio encorpa o som, e a cozinha de Rony Jimenez (bateria) e Peterson Rosário (baixo) garante a pegada punk do disco.

É simplista reduzir a definição da banda ao cruzamento de Smiths com viola caipira. Tudo bem, Mazzaropi Incriminado e Apaixonante na Tristeza são frutos diretos dessa mistura, mas no caldeirão sonoro do Charme Chulo cabe muito mais coisa. Seja evocando The Cure (A Caminho das Luzes Essa Noite), mergulhando de vez no revival pós-punk (Não deixe a vida te levar) ou pegando o regional, o Chame Chulo imprime uma cara própria em suas canções. O repertório inclui hits na medida para tocar em FMs (Apaixonante na Tristeza, Mazzaropi Incriminado e Polaca Azeda) e lamentações melódicas que não fariam feio em nenhuma AM (Amor de Boteco e Geada). Para completar, ritmos gaúchos (a chula de Solito a Reinar e a vanera de Intriga de Cinco Pessoas) provando o quanto a cultura do estado mais ao sul do Brasil é influente. Basta ver o número de CTGs (Centros de Tradições Gaúchas) espalhado pelo país – até na Bahia tem.

Charme Chulo é um dos grandes discos do ano, espertamente dançante como poucas coisas no rock brasileiro o são. É regional sem vergonha das raízes e de sua história; a ampliação das misturas iniciadas com Selvagem, dos Paralamas, e tão bem processada e levada pela geração dos anos 90. É o brit rock com sotaque nacional, The Cure com a cara de Odair José e Tonico e Tinoco; o encontro da capital com o interior, um choque de gerações. A realização de um conceito levado ao extremo. Não é um retrato do Brasil das desigualdades (e nem tem a pretensão de ser), mas uma comprovação agradável de uma lei física: os opostos se atraem.

Acesse o site do Chame Chulo – www.charmechulo.com.br

Clique com o botão direito na música e depois em “Salvar Como” para baixá-la

Mazzaropi Incriminado
Polaca Azeda
Piada Cruel
Não Deixa a Vida Te Levar
Solito a Reinar
Barretos

 

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