Pra gringo ver

 

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Malandragem e oportunismo talvez sejam os melhores termos a serem usados quando se fala do Bonde do Rolê. Despretensiosamente misturando samples de funk carioca com solos e riffs de guitarra, os DJs e produtores Rodrigo Gorky e Pedro D’Eyrot e a vocalista Marina Vello aproveitaram a esteira do reconhecimento do Cansei de Ser Sexy no exterior, fascinaram o DJ Diplo e engataram uma turnê pelos EUA e Europa, participando de grandes festivais – mesmo que como nomes secundários. Dessa forma, subverteram a lógica e foram contratados pela Domino Records, casa de Arctic Monkeys e Franz Ferdinand, e tiveram seu primeiro disco (With Lasers) lançado primeiro lá fora – e sabe-se lá quando chegará às lojas brasileiras. Só com muito jeitinho brasileiro pra conseguir tudo isso. Ah, vá lá, quem quiser também chame isso de sorte.

Apenas o gosto estrangeiro por coisas bizarras e fora do comum de outros países para explicar tudo que aconteceu com o Bonde. A música é ruim, com colagens e misturas de batidas e riffs de forma gratuita – bem longe do que faz a Comunidade Nin-Jitsu ou do que fazia o De Falla no começo da década. Junte a isso letras de humor adolescente, sem a espontaneidade e safadeza machista dos bons tempos do Raimundos, que resvalam no vulgar o tempo inteiro. É música pra escutar em balada, com muita cerveja na cabeça – e mesmo assim, após duas ou três (como Dança do Zumbi e Caminhão de Gás) é bem provável que você esteja pedindo água. Coisa pra gringo ver.

Se musicalmente o Bonde não é lá essas coisas, como fenômeno esquizóide eles são totalmente válidos, e já começaram a colher os frutos do seu sucesso. Um fenômeno, principalmente pelo fato de terem atingido este posto tão rapido – e sem acontecer no país de origem.

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Na verdade, a impressão que dá é que os três, desde o começo, levaram a coisa meio que como uma brincadeira, uma diversão despretensiosa que já foi longe pra caramba. O que eles precisam agora é aproveitar esse momento sem se deslumbrar muito com a fama, pois, se tudo correr como esperado, eles não devem passar do terceiro disco e, depois disso, vão voltar para Curitiba e para o ostracismo. Precisam fazer valer seus 15 minutos de fama, para ter muita história para contar para os netinhos. 

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