Teoria da desculpa

Errar é humano, isso todo mundo sabe, mas nem todo mundo sabe pedir desculpas. Não que seja fácil, na verdade pode ser complicado, assim como falar de sentimentos e intenções é difícil, mas é algo essencial em qualquer relacionamento. Cedo ou tarde todo mundo faz besteira e um pedido de desculpas de verdade pode ser a diferença entre o fim e o perdão.

Ok. Isso é óbvio. Então por que algumas pessoas simplesmente são incapazes de pedir desculpa? É ridículo. É irritante. É desconcertante. É absurdo. Então se você não sabe, preste atenção.

Pedir desculpa não é apenas pronunciar as palavras “me desculpe”. Para os mais orgulhosos talvez isso já seja um grande esforço, admitir o erro e se colocar na posição de quem pede, de quem está em dívida, por baixo na relação.

Mas a verdade é que virar para o lado e dizer “desculpa” não significa muita coisa.Não mesmo. Quase nada. É suficiente quando você pisa no pé de alguém ou dá um encontrão num desconhecido, mas está muito longe de resolver as coisas se o motivo do pedido de desculpa realmente foi sério. É só uma palavra. Mais uma, que de tanto ser usada pode acabar não significando nada. Apenas mais um som emitido por qualquer troglodita no universo que não tenha problemas de fala. Mágoas não são esquecidas com um pedido de desculpas.

As desculpas tem que ser equivalente ao erro cometido. Se o erro foi dizer alguma coisa, pedir desculpas é explicar a razão do erro e qual era a intenção original. Matemático e frio. Exatamente assim.

Infelizmente nem sempre a gente sabe porque faz as coisas ou tem uma boa intenção mal compreendida no fundo das besteiras que cometeu. Neste caso existem outras opções. Mandar flores, fazer serenatas, no fundo são sempre a mesma coisa: declarações de amor. Ninguém precisa fazer tudo certo sempre, só precisa saber lembrar aos outros, apesar dos erros que comete, que os ama. Esta técnica tem um índice de eficácia bem alto. Fez besteira? Então pare, pense e descubra detalhes e fatos que sejam as razões e as raízes do seu amor por alguém. Quanto mais verdadeiro for, mais eficaz.

Talvez nada disso funcione. Sempre é uma possibilidade. Nesse caso, vale a pena lembrar um dos trechos do Manual de Instruções do livro Histórias de cronópios e de famas, de Júlio Cortazar, chamado Instruções para chorar.

A transcrição segue abaixo para aqueles que estragaram tudo, perderam quem amavam, para os que se arrepedendem e estão desesperados. Pode ser que não resolva, mas sempre alivia.

Instrucciones para llorar

Instrucciones para llorar. Dejando de lado los motivos, atengámonos a la manera correcta de llorar, entendiendo por esto un llanto que no ingrese en el escándalo, ni que insulte a la sonrisa con su paralela y torpe semejanza. El llanto medio u ordinario consiste en una contracción general del rostro y un sonido espasmódico acompañado de lágrimas y mocos, estos últimos al final, pues el llanto se acaba en el momento en que uno se suena enérgicamente.

Para llorar, dirija la imaginación hacia usted mismo, y si esto le resulta imposible por haber contraído el hábito de creer en el mundo exterior, piense en un pato cubierto de hormigas o en esos golfos del estrecho de Magallanes en los que no entra nadie, nunca. Llegado el llanto, se tapará con decoro el rostro usando ambas manos con la palma hacia adentro. Los niños llorarán con la manga del saco contra la cara, y de preferencia en un rincón del cuarto. Duración media del llanto, tres minutos.

Texto retirado do site http://www.juliocortazar.com.ar.

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