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O Closet

junho 13, 2007

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Le Placard, 2001, é uma deliciosa comédia francesa. O filme conta a história de François Pignon (Danton Auteuil), um homem que fracassou em todas as áreas de sua vida: é um profissional medíocre; divorciado há dois anos, ainda é apaixonado pela ex-mulher que o despreza; e seu filho nunca quer vê-lo por uma simples razão: Pignon é chato, muito chato.

Tudo muda quando ele descobre que perderá seu emprego e seu vizinho o aconselha a se passar por homossexual para evitar a demissão. As pessoas passam a ver Pignon com outros olhos, e ele próprio se descobre mais confiante depois de sair do armário. Isso faz com que haja várias leituras diferentes e curiosas para a mesma questão: homossexualismo. A fábrica de produtos de borracha, entre eles, camisinhas, em que Pignon trabalha descarta imediatamente sua demissão e ele é promovido a ícone junto ao público homossexual.

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Com a mudança, as mulheres ficam curiosas a seu respeito, querem convertê-lo em heterossexual novamente. Mas o mais intrigante são as reações de pessoas que desejam afastar de si o estigma de preconceituosos. Atitude comum nos dias de hoje, as pessoas não querem ser taxadas de preconceituosas, mas nem por isso deixam de sê-lo.

Félix Santini (Gérard Depardieu) é uma dessas pessoas. Uma das personagens mais deliciosas do filme, Santini é metido a machão e ironiza Pignon assim que sua homossexualidade é “revelada”. Os colegas o alertam de que aquele tipo de atitude não é bem visto pela empresa e, com medo de perder o emprego, Santini começa uma luta desesperada para demonstrar seu afeto pela mais nova bicha do pedaço. Ao lutar com seu lado machão para aceitar a homossexualidade do colega, passa a ver a si próprio de uma outra maneira, muito mais cor-de-rosa…

Le Placard, que significa o armário, em francês, foi traduzido para o português (?!) como O Closet (mais um exemplo de tradução desastrosa de título), o filme tem roteiro e direção de Francis Weber, que também fez o roteiro de A Gaiola das Loucas. Em Le Placard, porém, a homossexualidade é tratada com muito mais sutileza e ironia, e deixa claro que não é necessário piadas esdrúxulas nem adolescentes estúpidos colocando órgãos genitais em tortas para se fazer uma comédia de sucesso.

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