Archive for the ‘Música’ Category

Melhores discos do Ano

janeiro 5, 2008

 

Não foi uma escolha fácil, principalmente a dos discos nacionais. Embaixo dos cinco primeiros nacionais e internacionais, a lista daqueles que ficaram de fora dos melhores, mas se destacaram em 2007. Durante a semana posto a lista das melhores músicas. Clique na capa dos álbuns para baixá-los.

NACIONAL

 

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Pato Fu – Daqui Pro Futuro – É o disco mais melódico da banda, deixando de lado os arranjos eletrônicos esquisitos dos primeiros álbuns para criar músicas mais orgânicas, todas cantaroláveis ao violão. Tem mais unidade do que o anterior, Toda Cura Para Todo Mal, que já indicava o caminho de um Pato Fu amadurecido. Cantando mais à vontade do que nunca, Fernanda Takai prova de uma vez por todas ser uma das grandes cantoras brasileiras.
Ouça: Tudo Vai Ficar Bem e A Verdade Sobre o Tempo

 

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Charme Chulo – Charme Chulo – A mistura inusitada de viola caipira com o pós-punk inglês funciona muito bem no primeiro disco dos curitibanos. Uma das provas de que ousadia tem lugar no rock brasileiro.
Ouça: Apaixonante na Tristeza e Polaca Azeda

 

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Violins – Tribunal Surdo – O disco vem mais pesado do que o anterior, Grandes Infiéis, que já era uma porrada, além de trazer letras mais ácidas e diretas do que nunca, o que rendeu inclusive uma denúncia ao Ministério Público por incitação à violência e ao racismo. Os goianos criaram mais uma obra sólida em torno de um contexto, com a melhor música do ano, Grupo de Extermínio de Aberrações, e um som pulsante, que dá fôlego para o novo lançamento do grupo, Redenção dos Corpos, que deve vir em março.
Ouça: Grupo de Extermínio de Aberrações e Delinqüentes Belos

 

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Fino Coletivo – Fino Coletivo – O catarinense radicado em Alagoas Wado já vinha entortando o samba em seus bons álbuns anteriores, com destaque para A Farsa do Samba Nublado. Reunido com alguns amigos, o resultado é um álbum com inteligência, ritmo e uma musicalidade impressionante. Não deixa nada a dever nas músicas mais dançantes (Boa Hora) nem em baladas (a ótima Poema de Maria Rosa, regravada do disco Cinema Auditivo, de Wado).
Ouça: Poema de Maria Rosa e Dragão

 

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Terminal Guadalupe – A Marcha dos Invisíveis – O melhor som de guitarra do rock brasileiro em 2007 está neste disco. Investindo no rock político, a banda alcançou projeção nacional em veículos como a Veja e Folha de São Paulo e já começa a fazer planos para expandir território em 2008.
Ouça: Atalho Clichê e De Turim a Acapulco 

INTERNACIONAL

 

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Black Rebel Motorcycle Club – Baby 81 – Eles uniram a porrada dos dois primeiros discos ao folk e melodias do anterior, Howl. E fizeram o melhor e mais equilibrado disco da carreira.
Ouça: All Yout do Is Talk e Weapon of Choice

 

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Maximo Park – Our Eartly Pleasures – O grande representante das bandas influenciadas diretamente pelos anos 80 de 2007. O disco abre com energia e potencial dançante, principalmente em Our Velocity e suas diversas mudanças de andamento, e vai ficando cada vez mais melódico, até descambar na sentimental Parisian Skies, faixa que fecha o álbum. Destaque para o aproveitamento de acordes completos nas músicas, não apenas ancoradas em riffs.
Ouça: Karaokê Plays e Parisian Skies

 

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Wilco – Sky Blue Sky – Quando saiu, muitos apontaram como o melhor disco do ano. Depois de algumas ouvidas a poeira foi baixando e o álbum já não ia empolgando tanto. Mas o certo é que ao voltar a sonoridade ao início da banda, Jeff Tweedy fez um ótimo disco de alt-country, com belos toques de folk e as já conhecidas melodias açucaradas prontas para serem assobiadas. O resultado bate de longe os cultuados primeiros álbuns, mas sem chegar perto do clássico maior da banda, Yankee Hotel Foxtrot.
Ouça: Impossible
Germany e On And On And On

 

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Queens of the Stone Age – Era Vulgaris – Minha história com o disco é um pouco engraçada. Assim que Era Vulgaris caiu na Internet eu corri baixar. Escutei o disco e achei pesado pra caramba, bem difícil de escutar. Lembro que uma semana depois estava em São Paulo almoçando com o Mac e a Juliana Zambelo e o Mac comentava que tinha achado o disco difícil também. Só que eu tinha baixado o disco errado, tanto que as letras que apareciam no meu Winamp não batiam com o Josh Homme cantava. Envolvido na correria do TCC no segundo semestre, só fui escutar o disco correto com calma em dezembro. E joguei por terra toda aquela teoria de peso e dificuldade dele. Um dos melhores discos da banda.
Ouça: 3’s & 7’s e Make Wit Chu

 

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Bruce Springsteen – Magic – Apenas o riff de guitarra da primeira música deste disco (Radio Nowhere) já seria suficiente para colocá-lo entre os cinco melhores do ano. Mas ele tem muito mais, tem The Boss no melhor de sua forma, tocando o que sabe melhor: rocks básicos carregados de emoção. Destaque também para Long Walk Home.
Ouça: Livin in the Future e Radio Nowhere

 

OS QUE FICARAM DE FORA

 

Ecos Falsos – Descartável Longa Vida

Ludov – Disco Paralelo

Vanguart – Vanguart

Los Porongas – Los Porongas

Superguidis – A Amarga Sinfonia do Superstar

Cachorro Grande – Todos os Tempos

Autoramas – Teletransporte

Orquestra Imperial – Carnaval Só Ano Que Vem

Graforréia Xilarmônica – Ao Vivo

Nação Zumbi – Fome de Tudo

Bonde do Rolê – With Lasers

Josh Rouse – Country Mouse City House

Arcade Fire – Neon Bible

Radiohead – In Rainbows

Beirut – The Flying Club Cup

Arctic Monkeys – Favourite Worst Nightmare

Idlewild – Make a New World

Paul McCartney – Memory Almost Full

Modest Mouse – We Were Dead Before the Ship Even Sank

The Shins – Wincing the Night Away

Feist – The Reminder

LCD Soundsystem – Sounds of Silver

White Stripes – Icky Thump

Klaxons – Myths of the Near Future

Rufus Wainwright – Release the Stars

Grant Lee Phillips – Strangelet

Manic Street Preachers – Send Away the Tigers

Subvertendo versões

setembro 30, 2007

Enquanto não lançam disco novo (o já gravado Não Esperem Por Nós…), os guris da Pipodélica compilaram todas versões de outros artistas que fizeram e colocaram no projeto Infinito. Funcionando a princípio como um EP virtual (assim como Volume 4, lançado no início de 2005), o site será atualizado com novas versões assim que elas forem feitas. A próxima a entrar é She’s Leaving Home, gravada para um tributo brasileiro em comemoração aos 40 anos de Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.

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Estão lá Xmas Time Is Here Again (Beatles), Eu me amo (Ultraje a Rigor), Acontece (Cartola), A Viagem (Odair José), Zagueiro (Jorge Ben) e Ohm Sweet Ohm (Kraftwerk). Talvez por terem um estilo tão peculiar e único, a banda de Florianópolis consegue imprimir sua cara em músicas tão distintas. Não são apenas versões; são músicas com a cara da banda, sendo que quem não conhece as originais poderia muito bem que trata de músicas da Pipodélica. E, importante, com um resultado positivo sempre. Coisa que apenas o Móveis Coloniais de Acaju, no Brasil, também consegue.

É interessante analisar as versões como uma evolução sonora da banda, a mesma que tiveram em seus discos. Assim, Xmas Time Is Here Again, ainda com Carine Nath nos vocais, lançada em 1999, traz um pop menos elaborado em questão de timbres, e é a mais próxima do original. Daí pra frente todas as versões são de depois de 2004, e os guris subvertem o que era um ska-pop (Eu me amo), um sambinha ao violão (Acontece), uma balada marcial (A Viagem), um samba-rock (Zagueiro) e uma melancolia eletrônica (Ohm Sweet Ohm), transformando-as em baladas climáticas cheias de texturas sonoras e timbres, com muito mais cores e ânimo, que não fariam feio no principal disco da banda, Simetria Radial, de 2003.

Os Pipodélicos apresentam uma nova proposta de lançamento em um mercado em transição. Com um álbum em constante confecção, pretendem alimentar os fãs regularmente com novo material. Ao mesmo tempo, terminam a mixagem do novo CD, que deve ser lançado no início do ano que vem. Um álbum que se anunciava progressivo, mas que vem na mesma linha de Simetria, sem tantas guitarras quanto o EP Volume 4. Felizes com o resultado, eles prometem o melhor disco da banda. “Hora H é a música mais Pipodélica de todos os tempos”, já disse Xuxu. E isso significa que vem coisa boa por aí.

Baixe as músicas de Infinito em http://infinito.pipodelica.com.br

Escute duas músicas novas no MySpace da banda, www.myspace.com/pipodelica

Veja abaixo um ensaio acústico de Memória Multicolor, do álbum Simetria Radial

Será de Cuiabá a melhor banda de rock nacional da atualidade?

setembro 15, 2007

Cuiabá é considerada a porta de entrada para a floresta amazônica e, além dela, tem ao seu redor o cerrado e o pantanal. Três ecossistemas totalmente diferentes, ao lado do centro geodésico da América (o ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico). Com uma máxima temperatura média de 34,1 ºC e picos acima dos 40 ºC, é chamada de Hell City pelos íntimos. Um lugar de onde, à primeira vista, seria improvável sair uma cena de rock. Mas, não só a cena local se espalhou pelo Brasil e ganhou notoriedade, como é de Cuiabá a banda indie mais hypada, incensada e festejada pela crítica nos últimos tempos: Vanguart.

Foram três Eps desde o surgimento da banda, em 2003 (Ready To, The Noon Moon e Before Vallegrand), atiçando a curiosidade e deslumbrando os admiradores. O folk rock em inglês à Dylan, com toques de Radiohead, dos meninos conquistou fãs pelo Brasil inteiro, pelos shows que fizeram quando resolveram cair na estrada. Público que aguardava ansiosamente o lançamento do primeiro disco, Vanguart, prometido desde meados de 2006. Em agosto finalmente ele veio, encartado na revista Outracoisa.

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Gravado em duas semanas no estúdio Inca, em Cuiabá, em dezembro de 2006, o CD demorou a sair muito por causa da burocracia. “A gente já tinha começado a gravar ele umas três vezes, até que surgiu essa proposta legal do estúdio. Gravamos rápido porque já conhecíamos as músicas bem. Em janeiro tínhamos o disco pronto, masterizado, mas não podíamos pagar. Como ele é parte financiado por leis de incentivo federal e municipais, tivemos que esperar abrir o edital, sair a grana, o que é um processo um pouco demorado”, explica o baterista, Douglas Godoy.

Vanguart, o disco, chega às bancas com as principais canções do grupo não lançadas em EPs anteriormente. Semáforo, Cachaça e Hey Yo Silver, que já viraram hinos e sucessos no meio indie. O disco abandona a exclusividade do inglês para abrigar seis músicas em português, sete em inglês e uma em espanhol.

Incensado pelo público indie e por uma parte da imprensa, o Vanguart ganhou muitos detratores nesse tempo de estrada. Além de um ranço por parte da crítica com a semelhança com Bob Dylan, o nome Vanguart foi considerado pretensioso demais. “Não entenderam a ironia. O que pode ter de menos vanguarda em alguém cantar folk em inglês com um violão?”, teoriza Helio. “Não entramos nessa pra ganhar fãs ou coisas assim. O que nos importa é fazer a música que gostamos, é essa necessidade.”

No caso de Helio, a necessidade de se expressar começou cedo. Aos 12 anos ele compôs as primeiras músicas e, mesmo sem gostar muito do resultado, não desistiu. “Nessa idade você é um idiota, um moleque sem muitas aspirações. A primeira musica que escrevi e gostei foi com uns 15, 16 anos.” Isso explica a repulsa do vocalista a Ready To, primeiro EP, caseiro, gravado antes de o Vanguart ser realmente uma banda, com músicas de quando ele tinha uns 14 anos. Helio não gosta do álbum e não deixa ser passado para ninguém. Diferente de The Noon Moon, também caseiro mas um pouco mais maduro, de quando o vocalista tinha uns 16 anos. “É um disco toscamente gravado, mas gosto muito daquela sonoridade. Ainda vou prensa-lo de novo”, orgulha-se Helio. “Ali já tem alguns dos elementos do que seria mesmo o Vanguart.”

Sim, porque a banda tomou forma mesmo em 2004, depois que o vocalista voltou de sua viagem pela Bolívia. “Eu tava sem rumo, com muitos demônios na cabeça, aí fiz essa viagem. Fiquei um tempo em La Paz, masquei uma folha de coca, compus um monte de músicas e voltei com o Vanguart idealizado como banda.” A partir daí a banda teve algumas mudanças de formação até se estabelecer no quinteto atual (além de Helio e Douglas, o guitarrista Daniel Dafré, o baixista Reginaldo Lincoln e o tecladista Luiz Lazzaroto). Da viagem também nasceu Los Chicos de Ayer, única música em espanhol do disco de estréia. “A música é sobre a dor que encontrei lá, e que também está muito presente no Brasil, em Cuiabá. As pessoas são muito passionais na América Latina. Muito dessa dor foi responsável pelo que o Vanguart é hoje”, explica Helio.

E é ai que o burburinho começa a se estabelecer em torno da banda. Começando a se apresentar pelos palcos do Brasil, nos diversos festivais independentes, eles foram descobrindo que havia público para folk rock e aperfeiçoando sua sonoridade. Lançaram, em 2005, o EP Before Vallegrand (com uma das melhores músicas da banda, a curta e rápida Into The Ice) e logo depois os singles Semáforo e Cachaça. Fernando Rosa, do site Senhor F, foi o primeiro a chamar a primeira de Hino de Uma Geração. Mas, afinal, o que ela tem de tão significativa? “Todos meus amigos querem morrer hoje em dia. De todas as formas. Cada um sabe sua forma de morrer e se sentir bem”, filosofa o vocalista.

Hoje com 22 anos, Helio é considerado um dos principais letristas do rock independente. Canções como Los Chicos de Ayer, Para Abrir os Olhos e Cachaça comprovam isso. Isso significa amadurecimento? “Às vezes acho que sou o mesmo moleque de 12 anos. Só sei que escrever é algo essencial pra mim. Meu primeiro beijo na boca eu dei porque escrevi um soneto para a menina, se não, não conseguia. Quero chegar aos 60 escrevendo.”

O último passo importante da banda foi participar do programa Som Brasil em homenagem a Raul Seixas, na TV Globo. “Não muda muita coisa, a não ser que agora a gente vai poder tocar Raul quando pedirem nos shows”, brinca Douglas. Aparecer em rede nacional, na principal emissora do país, não parece ter deslumbrado os rapazes. Uma possível conquista do mainstream continua a não ser uma meta. “Acho que ninguém mais vai estourar. Eu acredito em uma carreira mais consolidada de trabalhos sólidos. Eu estou muito mais preocupado com o que a gente vai apresentar no próximo álbum do que se a gente vai estourar ou não. Não é falta de ambição, mas precisamos primeiro trabalhar a música, não ficar pensando se vamos estourar porque tocamos na Globo. Se fosse um projeto montado pra estourar não estaríamos aqui hoje. Desde o começo, foi algo que fizemos por causa da música.”

Pra gringo ver

agosto 6, 2007

 

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Malandragem e oportunismo talvez sejam os melhores termos a serem usados quando se fala do Bonde do Rolê. Despretensiosamente misturando samples de funk carioca com solos e riffs de guitarra, os DJs e produtores Rodrigo Gorky e Pedro D’Eyrot e a vocalista Marina Vello aproveitaram a esteira do reconhecimento do Cansei de Ser Sexy no exterior, fascinaram o DJ Diplo e engataram uma turnê pelos EUA e Europa, participando de grandes festivais – mesmo que como nomes secundários. Dessa forma, subverteram a lógica e foram contratados pela Domino Records, casa de Arctic Monkeys e Franz Ferdinand, e tiveram seu primeiro disco (With Lasers) lançado primeiro lá fora – e sabe-se lá quando chegará às lojas brasileiras. Só com muito jeitinho brasileiro pra conseguir tudo isso. Ah, vá lá, quem quiser também chame isso de sorte.

Apenas o gosto estrangeiro por coisas bizarras e fora do comum de outros países para explicar tudo que aconteceu com o Bonde. A música é ruim, com colagens e misturas de batidas e riffs de forma gratuita – bem longe do que faz a Comunidade Nin-Jitsu ou do que fazia o De Falla no começo da década. Junte a isso letras de humor adolescente, sem a espontaneidade e safadeza machista dos bons tempos do Raimundos, que resvalam no vulgar o tempo inteiro. É música pra escutar em balada, com muita cerveja na cabeça – e mesmo assim, após duas ou três (como Dança do Zumbi e Caminhão de Gás) é bem provável que você esteja pedindo água. Coisa pra gringo ver.

Se musicalmente o Bonde não é lá essas coisas, como fenômeno esquizóide eles são totalmente válidos, e já começaram a colher os frutos do seu sucesso. Um fenômeno, principalmente pelo fato de terem atingido este posto tão rapido – e sem acontecer no país de origem.

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Na verdade, a impressão que dá é que os três, desde o começo, levaram a coisa meio que como uma brincadeira, uma diversão despretensiosa que já foi longe pra caramba. O que eles precisam agora é aproveitar esse momento sem se deslumbrar muito com a fama, pois, se tudo correr como esperado, eles não devem passar do terceiro disco e, depois disso, vão voltar para Curitiba e para o ostracismo. Precisam fazer valer seus 15 minutos de fama, para ter muita história para contar para os netinhos. 

No purgatório do pop

julho 17, 2007

Banda paulistana Ludov lança segundo CD mais próximo da MPB e tenta alcançar vôos mais altoschega.jpg

Em outubro de 2005, o Ludov fez um pocket show na FNAC Curitiba, no Shopping Barigui. Todos sentados, guitarras e baixos apoiados nas coxas e cinco sorrisos nos rostos – destaque para a simpatia e o brilho nos olhos da vocalista Vanessa Krongold ao cantar cada sílaba. Sorrisos sinceros, diga-se de passagem, daqueles que você dá apenas para os amigos em dia que está de bem com a namorada. E parecia mesmo que eles estavam tocando para amigos, com uma naturalidade tranqüila. Em um clima tão leve, o som que ecoava pelos cantos da livraria era sutil, como em um luau, agradável de se ouvir. É esse o som e o clima que transparecem no novo CD da banda, Disco Paralelo, lançado em junho pelo selo paulistano Mondo 77.

De lá para cá muita coisa aconteceu com o Ludov. Primeiro a saída da gravadora, Deck Disc, pela qual haviam lançado no início de 2005 o primeiro disco, O Exercício das Pequenas Coisas; a saída do baixista/fundador da banda/amigo Edu Filomeno; a participação na trilha sonora do filme da Disney High School Musical; a composição das novas músicas; a eliminação do Brasil pela França na Copa do Mundo; a volta ao mundo independente com a Mondo; e, óbvio, as gravações do novo disco. Algumas perdas, outras motivações. Nada diferente do que a vida normal.

O fato mais marcante talvez tenha sido a saída de Edu, que foi morar no Canadá. Apesar de não ser a primeira baixa na banda, foi o primeiro membro fundador a sair e não ser substituído. Isso levando em conta que a história do Ludov começa mesmo em 1996, quando os amigos de infância em Brasília Habacuque e Mauro chegam em São Paulo para fazer faculdade e montam o Maybees, junto com Edu, Vanessa e Falcão na bateria. Todos eram estudantes de Publicidade, Mauro na ECA/USP e os outros na ESPM. Falcão, depois de gravar os dois discos da banda (Maybees, de 1998, e Picture Perfect, de 2000), foi estudar engenharia de som no Canadá. Em seu lugar entrou Vlad Rocha, velho conhecido dos tempos de faculdade, que também saiu após a gravação de dois álbuns com a banda (agora já chamada Ludov). Para substituí-lo entra Chapolin, também ex-colega da faculdade.

Com a saída de Edu o fator amizade pesou. “A gente ficou com preguiça de fazer todo processo de integração com uma pessoa de novo. Um novo membro não seria apenas um baixista, e sim um cara que você convive muito durante a semana. Banda é como um casamento, tem que ter essa química. Todo mundo se conhece há tanto tempo que ficamos com preguiça de estabelecer uma nova relação”, explica Mauro. O estabelecimento da formação em quarteto mudou muita coisa. Primeiro no lado pessoal. “Cara, ele era um amigo que eu via todo dia, viajava junto. Quando saiu ficou um vácuo, ver ele uma vez por semana não era suficiente. Agora que ele ta no exterior, então, nem se fala”, lamenta o guitarrista.

A saudade bateu, mas em termos musicais as mudanças foram tão (ou mais) profundas. Os dois guitarristas passaram a se revezar no baixo, com o auxílio em shows do produtor e amigo Fábio Pinc. Esse foi um dos motivos do disco novo soar mais sutil, introspectivo e leve do que O Exercício das Pequenas Coisas. Os pequenos detalhes de teclado e arranjo foram deixados de lado com a opção de um som mais cru, baseado em guitarras limpas e uma bateria tocada de forma mais “suave”. Algo que suscita logo uma aproximação com a MPB;

O Exercício das Pequenas Coisas era composto por um pop inteligente difícil de encontrar na cena brasileira atual. Acessível sem ser clichê, ele surgiu impulsionado pelo sucesso da música Princesa (gravada no EP Dois a Rodar, de 2004, e incluída como faixa bônus no CD), que havia ganhado o prêmio de Videoclipe Revelação no Video Music Brasil, da MTV, em setembro de 2004. O prêmio garantiu o contrato com a Deck, que acabou também relançando Dois a Rodar.

Em uma gravadora média, o lançamento do CD ganhou um tratamento que nenhum anterior tinha recebido. O cuidado estético habitual da banda com encarte e toda parte visual continuava lá, mas a promoção agora era maior, com exposição direta na MTV e até capa do exigente Caderno 2, do Estadão. O disco cravou outro clipe de sucesso, Kriptonita, e foi apontado como um dos melhores do ano pela crítica.

Mesmo assim, o clima na gravadora já não era o mesmo. “Nunca pensamos numa gravadora ou selo como salvação, como responsável pelo sucesso da banda ou nossa felicidade. Mas precisamos sentir que o trabalho está sendo bem feito. Quando fechamos com a Deck existia esse compromisso, só que com o tempo a relação ficou morna. Então decidimos sair”, comenta Mauro. “Ficamos um tempo sem ter necessidade de buscar outra gravadora, só pensando no disco novo, sem se preocupar com quem ia lançar. Aí pintou a Mondo, que é por pessoas que já estavam no nosso circulo pessoal e profissional, então não foi difícil encontrá-los como opção. Foi meio como olhar pro lado. E estamos super satisfeitos.”

Antes do acordo com a Mondo 77, o Ludov já começava a compor. O ponto de partida e de motivação foi o convite da Disney para participar da trilha sonora de High School Musical, fazendo uma versão da música What I’ve Been Looking For, que virou O Que Eu Procurava. A experiência foi totalmente nova para a banda – eles nunca haviam gravado versão de outra música e nem participado de uma trilha sonora. “Veio num momento interessante, porque tínhamos terminado a turnê do disco anterior e tava tudo uma calmaria. Depois da turnê rola uma espécie de crise de abstinência, às vezes você se pega em casa no sábado sem saber o que fazer. Aí todo mundo se envolveu no projeto, começamos a tocar e compor de novo”, conta Mauro.

Foram alguns meses de composição e arranjos, ensaiando toda semana. No começo, com a companhia da Copa do Mundo e do álbum de figurinhas, até que o Brasil foi eliminado pela França e um desânimo bateu no guitarrista. “Assistimos o jogo todos juntos, no Sítio, que é o estúdio que o Fábio Pinc tem em um sítio afastado da cidade. Depois do jogo eu não queria mais saber, joguei meu álbum fora. Faltavam umas oito figurinhas pra completar.” De qualquer modo, ao final do processo eles chegaram com mais de 20 músicas para escolher antes de entrar em estúdio. “Até o último minuto antes de gravar a primeira bateria estávamos em dúvida. Tentamos dar um coerência à seleção de músicas, mas não sei bem direito qual.”

Se existe coerência nas canções de Disco Paralelo elas estão na já citada sonoridade sutil. É impossível não citar uma clara aproximação com a MPB (em todo disco) e os ecos de Los Hermanos que aparecem em Conversas em Lata e Refúgio. Tudo ainda bastante pop – só com um pouco mais de refinamento. Basta ver que Sintonia, faixa lançada no site da banda no segundo semestre do ano passado. Surgida junto com as canções novas, ela mantém a energia do disco anterior – e não figura entre as 11 selecionadas de Disco Paralelo. “O importante nesse disco foi a liberdade. Em nenhum momento a gente determinou onde queria chegar”, ressalta Mauro.

Para orquestrar essa liberdade, o quarteto chamou o produtor Chico Neves, famoso por seus trabalhos com Los Hermanos, Os Paralamas do Sucesso, Lenine e O Rappa, entre outros. A constante qualidade técnica dos discos de Chico – destaque para Hey Na Na, dos Paralamas – chamaram a atenção da banda. A partir do momento que fecharam o acordo, eles passaram a gravar os ensaios semanais e mandar para o produtor saber em que ponto as músicas estavam.

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Com isso, a gravação no Rio de Janeiro durou apenas dez dias. Longe de São Paulo, o nível de concentração dos músicos foi muito maior, sem ter que se preocupar com os problemas da vida cotidiana ao chegar em casa. O aproveitamento do tempo em estúdio foi total, sem dispersões. “O Chico cria um clima muito bom, você se sente à vontade. Ele conduz a gravação de uma maneira tão boa que você nem percebe que chegou ao ponto ideal. Foi nossa melhor experiência de gravação, pelo fator técnico, artístico e pessoal. O Chico é uma das pessoas mais queridas que você pode conhecer na vida. É quase como ir ao Tibet e conhecer o Dalai Lama”, empolga-se o guitarrista.

O resultado final foi um disco mais coeso que O Exercício das Pequenas Coisas, porém, ainda longe de ser irretocável – as faixas de abertura, Ciência e Fugi Desse País, são verdadeiros gols contra. Mas as melodias delicadas de Delírio (sob asas) – cantada por Mauro -, Noite Clara e A Espera, a densidade de Conversas em Lata e o flerte com o rock internacional atual de referência ao pós-punk oitentista de Urbana jogam a favor. Utilizando elementos dos momentos mais calmos dos discos anteriores, uma coisa que não pode se dizer é que o álbum seja mais maduro. Ainda mais quando a melhor música, Rubi, tem melodia vocal extremamente parecida com Érika, do disco Picture Perfect, quando eles ainda atendiam por Maybees.

O problema do Ludov não é artístico, e sim estrutural. Com 11 anos de atividade, um prêmio importante nas costas e o reconhecimento da crítica, eles não conseguem atingir o mainstream da música brasileira. Pior que isso, estão numa espécie de purgatório do pop – nem tão conhecidos para ir ao Faustão e vender muitos discos, nem tão anônimos para tocar nas bibocas apertadas do underground brasileiro para 300, 400 pessoas. No mesmo dia do show na FNAC em Curitiba eles participaram de um festival em um var com capacidade para 200 pessoas, e ar para respirar era artigo de luxo naquela noite dentro do recinto.

 

De certa forma eles haviam passado por situação semelhante no começo da década, quando mudaram de Maybees para Ludov. O Maybees era uma banda totalmente diferente, não apenas por cantar em inglês. As guitarras eram mais presentes e o som mais rock e garageiro – sem ser tosco. Com dois discos aclamados pela crítica e pelo público independente, de certa forma o ponto máximo de reconhecimento e prestígio possível dentro da cena, a pergunta era a) continuar fazendo a mesma coisa e viver do prestígio alcançado, ou b) mudar de idioma, sonoridade e tentar alçar novos vôos, quiçá mais altos. A segunda opção pareceu mais atraente.

O jornalista José Flávio Júnior já flagrava esse momento em sua crítica de Picture Perfect para a revista Bizz. Dizia ele: “sabe o The Bends, do Radiohead? O Maybees fez o seu. Depois da estréia, que rendeu boa exposição e alguma popularidade no cenário alternativo, o quinteto paulistano foi fazer o disco decisivo. Com muita astúcia e bom gosto adicionaram metais, cordas e muito teclado no pop rock simples que fez a fama do primeiro álbum. (…) A banda segue no caminho. Só que para fazer um OK Computer e agradar a gregos e troianos, vai ter de começar a cantar em português.”

Hoje, Zé Flávio não acha que a excelência sonora tenha sido alcançada pelo grupo com a mudança de idioma, mas acredita nas possibilidades do Ludov. “Os chamaria de “banda emergente”. Ainda estão definindo a personalidade, mas o potencial é imenso, até porque nela se encontram bons instrumentistas e uma cantora afinada (fato ainda raro por aqui). Como qualquer grupo pop, precisam de hits para conseguir ampliar a audiência ainda mais .” Músicas boas, com capacidade de agradar o público de um Jota Quest eles tem. Resta conseguir se inserir no mercadão, coisa cada dia mais difícil com a decadência da indústria musical no Brasil.Além de saber jogar o jogo, certamente a sorte será fundamental para uma maior exposição. Com ou sem sucesso, uma certeza: o Ludov é a banda nacional com mais requisitos para fazer a ponte entre underground e mainstream.

Charme Chulo: os opostos se atraem

junho 15, 2007

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O Brasil é conhecido mundialmente pela desigualdade e os contrastes sociais, principalmente nas maiores cidades do país. Prédios imponentes e pessoas dormindo no chão, executivos engravatados e mendigos com frio, restaurantes caros e pessoas catando o que comer de seus lixos. De um lado o Charme, do outro o Chulo.

Tentando fazer esses dois mundos dialogarem, os primos Igor Filus (voz) e Leandro Delmonico (guitarra e viola) criaram o Charme Chulo em 2003, que surgiu para unir o rock inglês e os anos 80 (tão em moda nos últimos tempos) com a moda de viola dos cantadores das ruas, o brega e a canção de amor. Culpa do tempo que os primos viveram em Maringá, no norte do Paraná, incoporando a programação das AMs interioranas em sua formação. Um casamento inusitado à primeira vista bizarro, a mistura agrada na primeira audição do disco epônimo lançado pelo quarteto em abril deste ano.

Produzido por Eduardo “Xuxu”, vocalista e guitarrista da Pipodélica, o disco mostra uma banda em clara evolução em relação ao EP Você Sabe Muito Bem Onde Estou, de 2004. A primeira grande diferença é a voz de Igor, mais redonda e que não incomoda mais nos agudos. Leandro domina cada vez mais a viola, incorporando um Johnny Marr da roça. O uso de vozes de apoio encorpa o som, e a cozinha de Rony Jimenez (bateria) e Peterson Rosário (baixo) garante a pegada punk do disco.

É simplista reduzir a definição da banda ao cruzamento de Smiths com viola caipira. Tudo bem, Mazzaropi Incriminado e Apaixonante na Tristeza são frutos diretos dessa mistura, mas no caldeirão sonoro do Charme Chulo cabe muito mais coisa. Seja evocando The Cure (A Caminho das Luzes Essa Noite), mergulhando de vez no revival pós-punk (Não deixe a vida te levar) ou pegando o regional, o Chame Chulo imprime uma cara própria em suas canções. O repertório inclui hits na medida para tocar em FMs (Apaixonante na Tristeza, Mazzaropi Incriminado e Polaca Azeda) e lamentações melódicas que não fariam feio em nenhuma AM (Amor de Boteco e Geada). Para completar, ritmos gaúchos (a chula de Solito a Reinar e a vanera de Intriga de Cinco Pessoas) provando o quanto a cultura do estado mais ao sul do Brasil é influente. Basta ver o número de CTGs (Centros de Tradições Gaúchas) espalhado pelo país – até na Bahia tem.

Charme Chulo é um dos grandes discos do ano, espertamente dançante como poucas coisas no rock brasileiro o são. É regional sem vergonha das raízes e de sua história; a ampliação das misturas iniciadas com Selvagem, dos Paralamas, e tão bem processada e levada pela geração dos anos 90. É o brit rock com sotaque nacional, The Cure com a cara de Odair José e Tonico e Tinoco; o encontro da capital com o interior, um choque de gerações. A realização de um conceito levado ao extremo. Não é um retrato do Brasil das desigualdades (e nem tem a pretensão de ser), mas uma comprovação agradável de uma lei física: os opostos se atraem.

Acesse o site do Chame Chulo – www.charmechulo.com.br

Clique com o botão direito na música e depois em “Salvar Como” para baixá-la

Mazzaropi Incriminado
Polaca Azeda
Piada Cruel
Não Deixa a Vida Te Levar
Solito a Reinar
Barretos

 

Você precisa ouvir: Pinkerton, do Weezer

maio 24, 2007

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Imagine-se em 1996. O cenário musical do rock nos EUA não era lá dos melhores. Kurt Cobain havia dado um tiro na cachola dois anos antes e o grunge estava ruindo; o Guns’n Roses já não tinha Slash e começava a sofrer com os devaneios de Axl Rose; o Metallica lançava o fraco Load, depois de 4 anos da turnê do “Black Álbum”; e o hip hop começava a dominar totalmente as paradas de sucesso.

Rivers Cuomo olhou para dentro de si e, direto de seu universo nerd, gravou Pinkerton, um dos discos mais introspectivos da história do rock. Falando abertamente sobre suas angústias amorosas juvenis e sem vergonha de seus óculos de armação grossa, o baixinho de Los Angeles forjou um disco clássico para a década de 90 e toda geração seguinte.

A estréia do Weezer, grupo liderado por Cuomo, já havia sido bem aceita e gerado burburinho em 1994. O álbum homônimo (conhecido popularmente como “Blue Álbum, por trazer uma foto da banda com um fundo azul) emplacou alguns sucessos como Say It Ain’t So e Buddy Holly, que teve seu videoclipe muito bem executado na MTV americana. Fortemente influenciado pelos Pixies, o Weezer começava a traçar os rumos para o rock do final do milênio.

Foi em Pinkerton que a banda alcançou sua sonoridade ideal. É o último disco da banda com o baixista Matt Sharp, que sairia para formar o The Rentals, um Weezer com doses cavalares de Moogs, aquele tecladinho com sonoridade meio metálica que já marcava presença no Weezer. Pinkerton é mais sujo, mais barulhento, mais contagiante, mais dançante e bem mais cheio de guitarras do que a estréia do quarteto. E tudo isso sem deixar de lado as melodias grudentas dos refrões. É colocar no volume mais alto do discman (ou iPod) e sair cantando e pulando pela rua.

No disco, Cuomo revela todas suas angústias de nerd declarado. Ao longo de Pinkerton, ele canta as desventuras de um rapaz que não chega na menina desejada já prevendo que terá uma decepção (Why Bother?), o garoto que sofre com o comportamento indesejado da namorada mas não a larga para não sofrer com a solidão (No other one), um estranho amor a distância (Across the sea), e até a paixão por uma lésbica (Pink Triangle, que traz o impagável verso “Everyone’s a little queer, can’t she be a little straight?”).

E, com toda essa sinceridade, Cuomo incluiu em Pinkerton a melhor canção da carreira do Weezer, The Good Life. O baixo marcado e preciso, no volume mais alto, os riffs de guitarra semelhantes sobrepostos, a mudança de acordes e ritmo no solo e a explosão do refrão compõe um verdadeiro clássico. Na letra, um cara que não suporta se encarar no espelho e clama aos céus para voltar a viver a sua boa vida anterior.

Para terminar o álbum, Cuomo larga as guitarras e faz um pedido de desculpas para a amada perdida, em uma balada acústica extremamente melódica e angustiante (Butterfly). A voz de Cuomo soa diferente, mais triste, distante. Uma canção de despedida.

De fato, a banda só viria a lançar um disco cinco anos depois, o irregular Green Album. Mas as canções pessoais de Cuomo marcariam a produção musical do resto da década, principalmente a geração emo e sua filosofia de vida baseada no sentimentalismo e na melancolia.

O Weezer também é responsável pelo som de boa parte das bandas da cena independente brasileira atual. Os cariocas dos Los Hermanos, principais ícones do novo rock nacional, nunca esconderam, desde seu primeiro álbum, que eram fãs do grupo americano. A banda gaúcha Bidê ou Balde chegou até a fazer uma cover do sucesso Buddy Holly em seu primeiro disco, “Se Sexo É o Que Importa, Só o Rock é Sobre Amor”, de 2001.

Não é de se assustar que o show do grupo no Curitiba Rock Festival de 2005 tenha sido tão intenso quanto os relatos. Uma semana antes do show, Cuomo disse, em entrevista ao jornalista Lúcio Ribeiro, da Folha de São Paulo, que estava apreensivo com o show pois não sabia se os brasileiros conheciam o quarteto. Certamente foi uma surpresa para ele escutar as 3 mil e quinhentas pessoas presentes ao Curitiba Máster Hall cantarem todas as canções do show ininterruptamente, revelando o nerd frustrado que cada um reprime dentro de si.