Melhores discos do Ano

janeiro 5, 2008

 

Não foi uma escolha fácil, principalmente a dos discos nacionais. Embaixo dos cinco primeiros nacionais e internacionais, a lista daqueles que ficaram de fora dos melhores, mas se destacaram em 2007. Durante a semana posto a lista das melhores músicas. Clique na capa dos álbuns para baixá-los.

NACIONAL

 

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Pato Fu – Daqui Pro Futuro – É o disco mais melódico da banda, deixando de lado os arranjos eletrônicos esquisitos dos primeiros álbuns para criar músicas mais orgânicas, todas cantaroláveis ao violão. Tem mais unidade do que o anterior, Toda Cura Para Todo Mal, que já indicava o caminho de um Pato Fu amadurecido. Cantando mais à vontade do que nunca, Fernanda Takai prova de uma vez por todas ser uma das grandes cantoras brasileiras.
Ouça: Tudo Vai Ficar Bem e A Verdade Sobre o Tempo

 

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Charme Chulo – Charme Chulo – A mistura inusitada de viola caipira com o pós-punk inglês funciona muito bem no primeiro disco dos curitibanos. Uma das provas de que ousadia tem lugar no rock brasileiro.
Ouça: Apaixonante na Tristeza e Polaca Azeda

 

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Violins – Tribunal Surdo – O disco vem mais pesado do que o anterior, Grandes Infiéis, que já era uma porrada, além de trazer letras mais ácidas e diretas do que nunca, o que rendeu inclusive uma denúncia ao Ministério Público por incitação à violência e ao racismo. Os goianos criaram mais uma obra sólida em torno de um contexto, com a melhor música do ano, Grupo de Extermínio de Aberrações, e um som pulsante, que dá fôlego para o novo lançamento do grupo, Redenção dos Corpos, que deve vir em março.
Ouça: Grupo de Extermínio de Aberrações e Delinqüentes Belos

 

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Fino Coletivo – Fino Coletivo – O catarinense radicado em Alagoas Wado já vinha entortando o samba em seus bons álbuns anteriores, com destaque para A Farsa do Samba Nublado. Reunido com alguns amigos, o resultado é um álbum com inteligência, ritmo e uma musicalidade impressionante. Não deixa nada a dever nas músicas mais dançantes (Boa Hora) nem em baladas (a ótima Poema de Maria Rosa, regravada do disco Cinema Auditivo, de Wado).
Ouça: Poema de Maria Rosa e Dragão

 

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Terminal Guadalupe – A Marcha dos Invisíveis – O melhor som de guitarra do rock brasileiro em 2007 está neste disco. Investindo no rock político, a banda alcançou projeção nacional em veículos como a Veja e Folha de São Paulo e já começa a fazer planos para expandir território em 2008.
Ouça: Atalho Clichê e De Turim a Acapulco 

INTERNACIONAL

 

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Black Rebel Motorcycle Club – Baby 81 – Eles uniram a porrada dos dois primeiros discos ao folk e melodias do anterior, Howl. E fizeram o melhor e mais equilibrado disco da carreira.
Ouça: All Yout do Is Talk e Weapon of Choice

 

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Maximo Park – Our Eartly Pleasures – O grande representante das bandas influenciadas diretamente pelos anos 80 de 2007. O disco abre com energia e potencial dançante, principalmente em Our Velocity e suas diversas mudanças de andamento, e vai ficando cada vez mais melódico, até descambar na sentimental Parisian Skies, faixa que fecha o álbum. Destaque para o aproveitamento de acordes completos nas músicas, não apenas ancoradas em riffs.
Ouça: Karaokê Plays e Parisian Skies

 

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Wilco – Sky Blue Sky – Quando saiu, muitos apontaram como o melhor disco do ano. Depois de algumas ouvidas a poeira foi baixando e o álbum já não ia empolgando tanto. Mas o certo é que ao voltar a sonoridade ao início da banda, Jeff Tweedy fez um ótimo disco de alt-country, com belos toques de folk e as já conhecidas melodias açucaradas prontas para serem assobiadas. O resultado bate de longe os cultuados primeiros álbuns, mas sem chegar perto do clássico maior da banda, Yankee Hotel Foxtrot.
Ouça: Impossible
Germany e On And On And On

 

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Queens of the Stone Age – Era Vulgaris – Minha história com o disco é um pouco engraçada. Assim que Era Vulgaris caiu na Internet eu corri baixar. Escutei o disco e achei pesado pra caramba, bem difícil de escutar. Lembro que uma semana depois estava em São Paulo almoçando com o Mac e a Juliana Zambelo e o Mac comentava que tinha achado o disco difícil também. Só que eu tinha baixado o disco errado, tanto que as letras que apareciam no meu Winamp não batiam com o Josh Homme cantava. Envolvido na correria do TCC no segundo semestre, só fui escutar o disco correto com calma em dezembro. E joguei por terra toda aquela teoria de peso e dificuldade dele. Um dos melhores discos da banda.
Ouça: 3’s & 7’s e Make Wit Chu

 

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Bruce Springsteen – Magic – Apenas o riff de guitarra da primeira música deste disco (Radio Nowhere) já seria suficiente para colocá-lo entre os cinco melhores do ano. Mas ele tem muito mais, tem The Boss no melhor de sua forma, tocando o que sabe melhor: rocks básicos carregados de emoção. Destaque também para Long Walk Home.
Ouça: Livin in the Future e Radio Nowhere

 

OS QUE FICARAM DE FORA

 

Ecos Falsos – Descartável Longa Vida

Ludov – Disco Paralelo

Vanguart – Vanguart

Los Porongas – Los Porongas

Superguidis – A Amarga Sinfonia do Superstar

Cachorro Grande – Todos os Tempos

Autoramas – Teletransporte

Orquestra Imperial – Carnaval Só Ano Que Vem

Graforréia Xilarmônica – Ao Vivo

Nação Zumbi – Fome de Tudo

Bonde do Rolê – With Lasers

Josh Rouse – Country Mouse City House

Arcade Fire – Neon Bible

Radiohead – In Rainbows

Beirut – The Flying Club Cup

Arctic Monkeys – Favourite Worst Nightmare

Idlewild – Make a New World

Paul McCartney – Memory Almost Full

Modest Mouse – We Were Dead Before the Ship Even Sank

The Shins – Wincing the Night Away

Feist – The Reminder

LCD Soundsystem – Sounds of Silver

White Stripes – Icky Thump

Klaxons – Myths of the Near Future

Rufus Wainwright – Release the Stars

Grant Lee Phillips – Strangelet

Manic Street Preachers – Send Away the Tigers

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Óleo sobre papel paraná

novembro 17, 2007

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Quem será a maior banda do novo rock mundial?

novembro 15, 2007

Na segunda metade de 2004, duas bandas da nova geração do rock mundial lançavam seu primeiro CD, e, cada uma com um mega-hit, ultrapassavam a barreira do indie, tornando-se conhecidas até entre os funkeiros das festas de Jornalismo da UFSC. Os americanos do The Killers com “Somebody Told Me” e os escoceses do Franz Ferdinand com “Take Me Out” provavam que o rock inteligente e dançante podia ainda ser um sucesso de massa.

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The Killers

As duas bandas tiveram maneiras diferentes de aproveitar o sucesso. O Franz Ferdinand engatou, no final de 2005, um segundo disco (You Could Have it So Much Better) tão bom quanto o primeiro. Já o Killers deu uma pausa para a gravação do segundo, Sam’s Town, que só foi sair no final de 2006. Dessa maneira, durante o ano de 2006 o Franz reinava soberano no cenário do novo rock, com toda a simpatia e bom mocismo de seus integrantes. Vieram duas vezes ao Brasil, primeiro abrindo para o U2 e depois como headliners do festival Motomix, lotando os espaços onde tocaram. Ao Killers, durante todo este tempo, restou criar a expectativa em torno do novo álbum, coisas que Brandon Flowers até exagerou, bradando que este seria um dos melhores discos dos últimos 20 anos.

De fato, quando chegou às lojas, Sam’s Town transbordava pretensão. Carregando as músicas com influências de Queen, o Killers forjou um disco grandioso, de rock de arena, extremamente irregular, em que ótimos momentos como “Bones”, “When You Were Young” e “Uncle Johnny” convivem com músicas enfadonhas e arrastadas como “Read My Mind” e “Bling (Confessions Of A Broken Heart)”. No lugar das levadas dançantes de Hot Fuss (o primeiro álbum), uma massa sonora para angariar multidões. Coisa de banda que quer ser a maior do mundo. No fim, Sam’s Town não passa de um disco de transição, em que o Killers arrica uma mudança de estilo acertando e errando, mas apontando um horizonte interessante se conseguir dosar as arestas.

Disco de transição este que o Franz Ferdinand ainda prepara. O próprio Alex Kapranos já declarou que o disco deve ter mais influências e elementos eletrônicos. Se vai ser irregular ou não, deve-se esperar para ver. Com o talento que os escoceses mostraram até aqui, não será espantoso que o disco venha redondinho.

 

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Franz Ferdinand

No final de outubro, o Brasil pôde conferir mais um detalhe na disputa das duas bandas. O Tim Festival era a hora de comparar o show do Killers com as apresentações do ano passado do Franz. Os escoceses demonstram mais carisma em cima do palco, com os quatro integrantes esbanjando sorrisos e presença, enquanto o Killers depende do esforço único de Flowers, que se movimenta o tempo todo, e do simpático baterista Ronnie Vannucci. A grande diferença é que o som do Franz funciona melhor em locais menores, e o rock de arena do Killers preenche estádios – mesmo as músicas de Hot Fuss soam grandiosas com uma boa camada de teclados por baixo. Os dois empolgam, mas sem dúvida o Franz é mais incendiário.

No saldo final, nenhuma das duas bandas abriu vantagem em uma possível corrida para ser a maior banda do mundo. Mas, mesmo mais despretensioso, o Franz Ferdinand consegue, com seu carisma, estar um pouco à frente.

São Vicente

novembro 7, 2007

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Cultura popular, música popular e artesanato

novembro 6, 2007

O termo cultura popular é preconceituoso porque divide a população entre “elite” e “povo”, sendo o povo a parcela pobre e sem educação. A cultura popular seria, portanto, uma espécie de reflexo rude da cultura erudita e a sua afirmação a partir da cultura popular definiria seu domínio cultural sobre outras parcelas da população.

A denominação da música como popular leva essa caracterização em conta, na medida em que o termo popular afasta esse tipo de música da música clássica, que seria parte da cultura da elite, e também a afasta do termo música folclórica, indesejado por sua ligação com a tradição e dessa forma com a falta de originalidade.

Do mesmo jeito o artesanato, uma forma de produção tradicional, é desvalorizado pela sociedade industrial. De acordo com García Canclini, em seu texto sobre a venda do artesanato indígena no México, o tratamento dispensado ao artesanato pela sociedade é uma forma de afirmação de poder da cultura dominante sobre a dominada. A venda do artesanato o define como uma arte secundária, já que ele não vai ser exibido em galerias e admirado, mas sim servir como enfeite ou objeto de uso comum para uma pessoa de outra classe social e outra cultura, ou ainda como forma de ostentação, no caso de jóias e mobília trabalhada.

O comércio do artesanato vai servir para sustentar uma família indígena que antes não pertencia ao modo de produção capitalista, mas que será inserida nele com a venda de sua produção artística. Isso estabelece uma relação de cultura dominadora e cultura dominada, já que faz parte desse contexto da dominação cultural que a cultura dominadora se insira no ambiente das culturas dominadas, através de roupas, eletrodomésticos e da inserção no imaginário da cultura dominada de desejos de consumo que antes não existiam.

A música popular usa essa denominação para fugir desse afastamento que o artesanato apresenta: ele é fruto da tradição, de algo que não é novo e não pertence ao povo, mas aos seus antepassados. Dessa forma, ela consegue um apelo comercial de que a música folclórica não desfruta. A música popular é o novo, é o encontro da tradição com a atualidade, e é distante da elite, assim como a denominação da parcela pobre da população de “povo”.

No entanto, ambas as produções, a música e o artesanato, são produtos da cultura popular, se chamarmos de popular o que é feito pelas pessoas de uma sociedade, não importando seu nível de educação ou de adequação junto à elite ou junto aos grupos de maior tradição cultural. No entanto, a denominação da música como popular lhe atribui um significado que facilita a sua circulação no meio comercial e a sua assimilação pela população, enquanto o artesanato fica restrito a ser visto e comercializado como produção de uma cultura dominada e que acaba sendo vista como inferior.

Biliografia:

O que é cultura popular, Antoni Augusto Arantes Ed. Braziliense

Do mercado à boutique: quando as peças de artesanato emigram, Nestor García Canclini, As culturas populares no Capitalismo

A “origem do samba” como invenção do Brasil (Por que as canções têm música?)Rafael José de Menezes, Revista Brasileira de Ciências Sociais, disponível no site http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs_00_31/rbcs31_09.htm

Questão de foco

novembro 6, 2007

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Óleo sobre papel paraná

novembro 3, 2007

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10.000 visitas

novembro 2, 2007

No trombone: 10.000 visitas desde a sua criação.

Média de 120 por dia.

Post mais lido: A influência de Marcel Duchamp na Arte Contemporânea – https://notrombone.wordpress.com/2007/07/01/a-influencia-de-marcel-duchamp-na-arte-contemporanea/

Colaboradores:

Ana Júlia Crócomo – estudante de Artes Plásticas

Diego Spagnuelo – estudante de Artes Plásticas e de Design

Gustavo Bonfiglioli – estudante de Jornalismo

Lídia Cabral – estudante de Artes Plásticas, trabalha com o fotógrafo Norton José

Rafaela Creczynski Pasa – estudante de Artes Plásticas, atualmente faz estágio com uma ceramista

Roberta Ávila – estudante de Jornalismo e de Arte Plásticas

Tiago Agostini – estudante de Jornalismo

Divagações pictóricas

outubro 31, 2007

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No quadro A arte da pintura de Johaness Vermeer, o pintor está de costas para o expectador, com sua modelo posando. Uma cortina semi-aberta dá a impressão de que estamos espiando o pintar que está a postos, com o pincel na mão. Esta pintura é muito interessante , pois de fato estamos o tempo todo buscando nos quadros o olhar do pintor, o que ele quis nos dizer. E de fato nunca poderemos ter certeza se o que entendemos de uma obra realmente foi o que o artista quis passar. A subjetividade da obra faz com que ela possa ter muitas leituras diferentes, com que o seu significado ultrapasse em valor o que o artista quis expressar na mente de outras pessoas.

Ao pensar nessa questão da subjetividade das obras de arte, é impossível não se lembrar de René Magritte.

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Em seu quadro O Terapeuta, ele pinta o profissional que lida os complexos e traumas dos pacientes como um homem de cabeça de gaiola, como se fosse um ser que guarda a chave do sagrado, dos significados que ninguém tem, e ele as tivesse aos montes na sacola que carrega na mão. Mas na entanto a sua cabeça está trancada. Ele pode ter muitas chaves, mas não tem sua própria chave. Os terapeutas precisam de terapeutas. E talvez o pintor de quadro de Vermeer fosse como um terapeuta, que tem a chave de um segredo e apenas revela uma parte aos expectadores. Ele revela a sua presença, mas não aonde o seu olhar está concentrado.

O terapeuta também pode ser interpretado não como uma pintura sobre um terapetua, mas sobre cada um tentando entender sua própria mente, tentando ser o terapeuta de si mesmo e libertar os pássaros que voam em círculos dentro de nossa cabeça, batendo nas grades e ficando tontos e soltando penas sem conseguir sair.

Magritte passa a mesma sensação de intimidade que Vermeer, com a diferença que o misterioso em Vermeer é o que não podemos ver, mas em Magrite o mistério vêm do inexplicável, do indizível, que, ao mesmo tempo em que demonstra a solidão do ser representado na tela, nos dá uma sensação de intimidade, porque eu reconheço minha própria solidão na solidão do outro. A mesma sensação de intimidade que Vermeer cria, direcionando o olhar do expectador através da luz, tão característica dos seus quadros, com sua incidência lateral em grande parte de suas composições, e que pode ser observado no famoso Moça com Brinco de Pérola. Essa luz faz com os elementos de composição do quadro sejam secundários, o olhar é direcionado por essa luz que tem um quê de celestial. É como se o pintor estivesse segurando a cortina e dizendo “pode espiar, mas só vai ver o que eu quiser…”. E essa sensação de estar assistindo uma cena íntima e especial nos fascina.

A mesma sensação de intimidade vem ironizada por Magritte em seu quadro Os amantes.

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Ao colocar os rostos tapados se beijando Magritte questiona os relacionamentos e invoca Levinás, colocando na tela o absolutamente outro com rostos. Há entrega, o que é indiscutível pela expressão corporal do casal, mas ela é condicionada pelas engrenagens que regem nossa cabeça. Enquanto Vermeer quer deliciar com a imagem do proibido, Magritte quer que não nos contentemos em ver a superfície. Enxergar apenas o que a cortina permite não é o suficiente para Magritte. Ele quer ir além, quer escrachar, quer que Os Amantes enxerguem O Terapeuta em si mesmos, desvendando para os amantes o fato de que o outro sempre é capaz de nos surpreender e de se surpreender consigo mesmo e que todas as pessoas são o Absolutamente Outro, não importa o quanto a amemos, como disse Fernando Pessoa em seu poema Meus Olhos, Porque quem ama nunca sabe o que ama/Nem sabe por que ama, nem o que é amar …/Amar é a eterna inocência,/E a única inocência não pensar…”

Acrílica sobre tela

outubro 28, 2007

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